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  • Poeta Perdido

Palavras vazias

Atualizado: Fev 23

Texto escrito em 2016.


E olho para esta tela em branco. E não me vem nada à mente. Palavras não são suficientes. Eu só sei que preciso escrever, para sobreviver. Será que eu sou tão diferente assim? Tão diferente que capaz de não ser feliz? Não, não deve ser felicidade que me falta. A falta é de pessoas que me fazem feliz, momentos, lugares. A falta é de pessoas que me leem, que, no entanto, é nenhuma. Será que sou ruim? O que é ruim? O que é ser ruim? Será que chega na infinidade complexa de simplesmente não ser bom? Acho eu que não. Ruim é não ser bom o suficiente, pois quem não é bom, não é ruim: é fraco. Eu não sou fraco, só não sou bom o suficiente.

O fato é que estou enfraquecido (não fraco, enfraquecido.), estou ficando muito ruim, mais do que o normal. E ao que isso se deve? Não sei, e, assim como olhar esta tela em branco (agora com 20% dela preenchida por bobagens), me entristeço de não saber. “Não sei” com certeza é a frase que mais repudio. Não gosto de não saber, mesmo sabendo que é preciso não saber, para começar a saber mais (isso foi confuso? Não sei.), não gosto ainda mais de não saber aquilo que se refere a mim, a minha vida. E isso está acontecendo agora. La fora está frio, e dentro de mim mais ainda. A filosofia alimenta o resto de mim que me sobrou, pensamentos filosóficos ainda conseguem me deixar em pé. E o que ainda me deixa alegre é a possibilidade de ainda conseguir escrever. Assim como o pássaro na gaiola, que quer voar livremente, mas não sabe como é liberdade, sou eu, que quer ser sábio, mas nem sabe se isso é bom o suficiente. Meu sonho é um dia ser lembrado pelo que faço.

Mas vejo que continuando assim, o que eu vou conseguir é ser somente esquecido. Não falo muito, só ouço, e escrevo. Não me comunico com outras pessoas, vivo sozinho, penso sozinho. Não estou apaixonado por ninguém, por nada. Me sinto morto perante a vida. A única opção é fazer você continuar lendo. O único jeito é fazer você se sentir feliz, satisfeito. Se não consigo me alegrar, preciso ao menos alegrar a quem me lê (que ainda continua sendo ninguém). Eu até que consigo viver normalmente com isso, com essa infelicidade. Até que consigo rir, ser irônico. Mas o problema que sou aquele que não reconheço ser.

Eu sei, estou falando um monte de baboseira sem nexo, eu sei. Mas assim consigo expressar um pouco do que sinto, consigo colocar para fora, ou para mais dentro ainda (não sei qual é menos suficiente), não sei qual é pior. Agora, que já estou preenchendo uns 65% da página, já me sinto melhor, porém não sei se meia folha ou mais são capazes de me trazer a vida feliz e alegre novamente. Me lembro agora de alguns anos atrás, era eu um rapazinho tão pulsante, fazia as piores piadas, e todos riam. Fala as piores coisas, e todos aplaudiam. E hoje, que meu conhecimento é maior, minha vida é tão menor. Falo e ninguém ouve, escrevo e só você lê. Será mesmo que é tão ruim assim ser inteligente (não que eu seja)? Será que seria melhor ser superficial? Ainda acho que não. Só preciso de um amor, uma mulher encantadora, que me faça viver novamente. Acho que seria suficiente.

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