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O real potencial das Experiências Psicodélicas

Atualizado: Mai 13



Nos últimos artigos que postei, sobre como lidar com o sofrimento profundo, e a importância da autocompreensão, o intuito era apresentar uma idealização filosófica sobre o nosso relacionamento com nós mesmos. Onde este encontro com si, é capaz de evoluir o ser e oferecer ferramentas de autocontrole como resposta para o sofrimento. Esta evolução, desenvolve a espiritualidade do indivíduo, e amplia sua mente para uma perspectiva transformadora na trajetória de sua vida. Fiz esta contextualização, bem como minuciosamente explicado em meu livro filosófico ‘Meu Mundo Misterioso’ (clique aqui para ler), para ressaltar a necessidade de compreender conceitos importantes que coexistem em nossa natureza, além de ser uma leitura proeminente para uma inicial jornada de autocompreensão.

Porém quero neste artigo apresentar e discorrer sobre uma experiência que é responsável por revelar na prática esses conceitos aprendidos na leitura filosófica. Esta temática apareceu em minha vida de uma forma repentina e com certeza transformadora, onde me dediquei em explorá-la e compreender todo o espectro que envolve sua essência, e assim comecei a colher valiosos aprendizados para minha jornada de autocompreensão, e reivindicação do meu autocontrole. Esta é chamada de ‘Experiência Psicodélica’, e apesar de várias pessoas poderem ter as tido de forma equivocada, quero apresentar o real potencial que tal experiência tem, perante a esta jornada de autocompreensão, e autocontrole.


Uma experiência psicodélica é um estado de efeito induzido por substância psicodélicas, que entre várias são as clássicas: LSD, Cogumelos Mágicos (psilocibina), Ayahuasca (DMT) e cacto Peiote (mescalina). Essas substâncias alteram o estado da mente, e a colocam em um estado extraordinário, onde o indivíduo acessa uma realidade totalmente alternativa. No cérebro, essas substâncias interagem conosco de uma forma única e inigualável, quimicamente falando elas se conectam com neurônios do córtex pré-frontal, onde está relacionado ao planejamento de comportamentos e pensamentos complexos, expressão da personalidade, tomadas de decisões e modulação de comportamento social. É nesta área do cérebro que mora nosso Eu, ou nosso Ego de Freud. Portanto estas substância interagem diretamente com nosso senso de nós mesmos, e não só interagem como o alteram sistematicamente.

Toda frequência cerebral produzida normalmente em nossa mente, é alterada através da ativação de reações biológicas que acontece a partir do agonismo entre essas substâncias e certos grupos de receptores de serotonina (5-HT2A) em nosso cérebro, onde há uma intensa desordem e desabilitação desta área, causando a diluição do Ego (onde alguns indivíduos sentem perda de percepção da realidade) e permitindo a liberação da mente para um estado ampliado, onde a pessoa se conecta verdadeiramente com uma realidade superior.

Basicamente, numa experiência psicodélica o indivíduo é colocado na prática em frente consigo mesmo. Há um verdadeiro e genuíno encontro com si, onde aquele que souber usufruir duma suprema experiência, poderá colher aprendizados inigualáveis para sua trajetória, e assim trilhar uma caminhada de evolução pessoal, e cura interior. Porém a grande chave está exatamente em conseguir desfrutar da melhor forma desta experiência, onde muitas pessoas acabam desviando-se deste potencial, pois mesmo com todos esses efeitos no cérebro, a pessoa ainda se mantém consciente - ainda que com uma consciência ampliada - e precisa conscientemente buscar por desfrutar da melhor forma desta experiência transcendental.

O que em muitos casos infelizmente acontece, algumas pessoas utilizam-se destas substâncias apenas como fuga da realidade - o que realmente acontece na maioria dos efeitos - e portanto desperdiçam um real potencial embutido nestas substâncias, que seria melhor atingido através de um uso dedicado em aflorar os melhores benefícios contidos na experiência. Existem muitas pessoas que acabam utilizando em condições inadequadas, com músicas agressivas, movimentação bruta, alta exposição do corpo, mistura com outras substâncias, e ainda aqueles que utilizam apenas pelo uso - o que é menos destrutivo, mas ainda insuficiente. É necessária uma interação mais rica com esses elementos psicodélicos, para poder alcançar os valiosos benefícios que existem ao ser.

Esses exemplos inadequados acontecem mais com o LSD, e em alguns casos com os cogumelos mágicos, mas por outro lado, na cultura da Ayahuasca, por exemplo, o aproveitamento da experiência psicodélica é muito mais enriquecedor. Pois aqueles que construíram e ainda mantém tal rica cultura milenar - comunidades indígenas complexas - dão o devido valor à jornada de autocompreensão e busca por desenvolvimento do ser, em suas práticas culturais variadas e profundas. Praticamente todas as comunidades indígenas têm em sua cultura, práticas para a evolução do ser através da conexão com a sua natureza, todos se preocupam com o encontro consigo mesmo, e buscam aprender os valores da vida a partir dessas experiências e encontros. Porém, nós contemporâneos ocidentalizados, infelizmente nos desviamos desse rumo, onde culturalmente preferimos utilizar desses ricos elementos da natureza, em sua maioria para pífio uso adolescente e recreativo.

Mas como uma sociedade em constante evolução, ainda podemos dar o devido valor a essas experiências, e usufruirmos desses elementos como forma de evolução do nosso ser, assim como muitas comunidades fazem. E acredito então ser aí, que o indivíduo irá poder alcançar uma genuína prática (dentre outras que também existem, porém observo ser essa uma revolucionária prática em nossa era) capaz de realizar este encontro com o ser, onde nessas experiências poderá colher aprendizados únicos para um caminho de evolução individual, e cura de seu sofrimento da forma com que ele for. É aí que uma pessoa poderá transcender seu ser para um estado superior, desabrochar talentos escondidos, ter insights transformadores, e sobretudo reivindicar o necessário autocontrole para sua caminhada.


Realmente o trabalho de usufruir dos melhores benefícios dessa experiência é relativamente dificultoso. Os índios desenvolveram ao longo de milhares de anos práticas complexas para conseguir retirar o melhor proveito desses elementos. E ainda há um complexo problema social que também envolve esta temática, que infelizmente acaba por dificultar esta experiência.

Nos últimos 60 anos, além de proibir estas substâncias, vários poderosos governos trabalharam intensamente em campanhas contra o uso delas, através de um contexto de conflito político entre uma parcela da sociedade que afrontavam culturalmente esses governos (principalmente nos EUA na década de 60/70), onde de forma opressora e desproporcional foram esmagados por um abissal processo de proibição. Nem mesmo os cientistas foram permitidos de estudar essas substâncias, que na década de 50, onde ainda eram permitidas, estavam indo em um caminho promissor com as pesquisas, em que várias doenças estavam sendo tratadas, e o uso medicinal destas substâncias se mostrava proeminente.

Porém, por uma pura questão de embate cultural, e opressão governamental, essas substâncias foram jogadas no limbo. Onde depois de um longo período de recessão, hoje passamos por um processo de ressurgimento desses estudos, tendo a iniciativa privada como fazendo a maior parte dos financiamentos, já que após tantos anos ainda temos grande resistência por parte dos governos.

É onde chegamos nos dias de hoje, onde observo uma robusta renascença desta temática, com alguns estudos já em fase final mostrando o poder terapêutico dessas substâncias, como este estudo científico do Imperial College (Londres), publicado em 2016 na revista científica ‘Science Direct’, que assinala a psilocibina (princípio ativo dos cogumelos mágicos) com suporte psicológico para depressão resistente ao tratamento. Existem outros estudos já em processos finais, que expõe um enorme potencial terapêutico no uso controlado dessas substâncias, sobretudo a psilocibina que parece estar nesta vanguarda, para tratamento de depressão, ansiedade, Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e vícios resistentes por substâncias como a nicotina.

No Brasil, já temos o uso religioso liberado da Ayahuasca, por exemplo, e no caso dos cogumelos mágicos a legislação é relativamente branda para com o uso efetivo. Portanto estamos nesse contexto social, onde não somos exatamente proibidos de ter essas experiências, pois temos que lidar com essa problemática social, mas já sabemos cientificamente dos benefícios, além de que ao longo de milhares de anos, várias culturas e comunidades já utilizaram e utilizam amplamente dessas substâncias para fins medicinais e evolutivos.

Portanto para começar qualquer prática que seja de experiências relacionadas à essas substâncias, é necessário antes conhecer sobre este contexto, e entender como essas substâncias interagem conosco de forma evolutiva e medicinal, para assim podermos tirar o melhor proveito dessas experiências, se caso formos optar por tê-las. Neste texto, eu abordo introdutoriamente alguns pontos importantes para o conhecimento desta temática, que me foi tão transformadora. A partir dele, sabemos o que são essas substâncias e um pouco sobre como funcionam e seu contexto social.

Porém em minhas próximas postagens, irei esclarecer novos pontos importantes desta temática, e apresentar formas com que podemos evoluir nosso ser e amenizar nosso sofrimento a partir dessas experiências. Irei continuar esclarecendo sobre esta jornada de autocompreensão aqui neste blog, que antes foi abordada de forma filosófica, e agora se mostra d’uma forma prática, para que esta Filosofia possa ser aplicada num cotidiano de evolução individual, desenvolvimento espiritual e amenização do sofrimento profundo. Para isso criei uma área do site chamada "Psilotropia", que explica sobre uma prática desenvolvida para auxiliar os indivíduos em sua jornada com psicodélicos - nesse caso psilocibinos. Acesse aqui para conhecer.



-> Leia também outros textos na área de textos filosóficos, e algumas poesias escritas por mim. Leia outros artigos no blog, comente o que pensa sobre e compartilhe caso ache este conteúdo interessante! Obrigado por estar aqui.




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